Saiu com o selo do Novo Sistema, capitaneado pelo maranhense Riccelle Sullivan Suád, o 11º. número do fanzine do Homem Camaleão, no formato ½ A4, capa colorida (por Suád e Lunyo Souza Freitas) com 14 páginas em p&b, apresentando a HQ ‘Advinha Quem Veio Para Matar’, toda produzida por Suád, destacando o quebra-pau entre o Homem Camaleão, com uniforme improvisado (perdera o uniforme por causa de uma patacoada sua, como visto no número anterior) e o brutamontes Crocodilo, agindo como um Fantar de paletó e gravata – ah, vocês pensaram que eu iria falar em Savage Dragon, né? Mas este babaca veio muuuito depois do Fantar, desenhado por Edmundo Rodrigues no final da década de 60 do século passado (quem não conhece e quiser saber mais pode conferir aqui: http://www.sallesfanzineiro.blogspot.com.br/2010/07/fantar.html). Voltando ao Homem Camaleão, que vai se encontrar em péssimos lençóis no ‘quebra’ com o Crocodilo. E muitas surpresas aguardam a série, até mesmo um possível retorno do Homem Camaleão original. Será? Quem vai decidir os rumos da série, evidentemente, é seu autor. Faço uma sugestão, apenas: que Matias volte usando o uniforme original, e Sawane (o Homem Camaleão atual) mantenha o uniforme improvisado desta aventura, e se torne parceiro do Homem Camaleão/Matias no combate ao crime. Suád, mesmo jovem, é um fanzineiro das antigas, por isso, com esse talento ressalte-se também essa dedicação formidável, em manter, de forma independente, um título com regularidade, e sempre o mais caprichado possível. lynx_2811@hotmail.com – www.homemcamaleao.blogspot.com (JS)
segunda-feira, 28 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
CHICO & FRANK MAIS UMA VEZ EM AÇÃO
Saiu o terceiro número de Chico Spencer pela cooperativa Júpiter II (capa couchê colorida com 28 páginas p&b), com o detetive urbano e seu inusitado parceiro do além. Apresentando uma história em duas partes, mais uma vez escrita por José Salles e ilustrada por Emmanuel Thomaz (que também é o autor da capa): ‘A Prece’, dois capítulos falando sobre a fé que move as pessoas - independente do credo religioso que sigam, a sinceridade da oração é mais importante. smeditora@yahoo.com.br
quinta-feira, 10 de maio de 2012
SURGE UM NOVO SUPER-HERÓI BRASILEIRO: CAPITÃO R.E.D.
Em mãos uma nova revista apresentando um novo super-herói brasileiro dos Quadrinhos, enriquecendo esse panteão cada vez mais diversificado, e rico: trata-se de Capitão R.E.D., numa bonita apresentação gráfica – no formato americano (25,5 cm x 16 cm), capa cartonada e plastificada contendo 36 páginas em papel couchê – ficamos conhecendo esta empreitada de Elenildo Conceição Lopes (o criador do personagem) e seus parceiros. Deixemos que o próprio autor explique o porquê desta revista vir ao mundo, impressa: “este projeto sempre esteve em meus sonhos: criar um site (http://www.meuherói.com.br/) e o transformar em uma marca e selo editorial. Agora produzimos nossa primeira HQB. Não tenho palavras para descrever tamanha felicidade”. E esse entusiasmo do roteirista e editor acabou mesmo indo parar nas páginas da revista, em HQ muito bem narrada, bem escrita, com promissores personagens. A história de Capitão R.E.D. se passa em cenário fluminense, entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói (que é a cidade natal de Elenildo), num futuro bem próximo (ou presente atual?). Financiada pelo governo federal e pela ONU, a tropa especial Distrito de Risco e Emergência tem a finalidade de combater o crime organizado, cada vez mais poderoso diante da crescente corrupção política. Seu líder é Ellano, que, vestindo armadura com notáveis engenhos tecnológicos de ataque e defesa, é conhecido como Capitão R.E.D. De cara a tropa vai estar enfrentando chumbo grosso. As páginas finais são dedicadas a um personagem chamado Davi, um jovem pouco mais que um adolescente – ao que tudo indica, pode vir a se tornar um parceiro para o herói principal, vamos aguardar. Histórias ilustradas por A-Lima e colorizadas por Gil Santos.
Bem vindo ao front (ao front impresso, vamos dizer assim, pois no front virtual você já estava), Elenildo. Com este seu personagem, prepare-se para ganhar um número considerável de fiéis admiradores, mas prepare-se também para suportar os maus modos de uma minoria barulhenta e perniciosa, que invadirá sites e blogs, seus e de outros que o apoiem, para deixar insultos, injúrias, provocações, sarcasmos, tudo feito de forma gratuita, sem terem ao menos pego o gibi em mãos. Isso é resultado do que vem sendo feito no mercado editorial brasileiro deste a década de 80 do século passado, devem agir assim influenciados por tantas besteiras de tantos autores ruins de Quadrinhos ruins que conhecem e cultuam, principalmente autores ingleses e japoneses. Pergunte a quem já sofreu e vez por outra ainda sofre agressões desta forma: Emir Ribeiro, Lorde Lobo, Samicler Gonçalves, euzinho, e tantos outros brasileiros que insistem em realizar seus super-heróis de papel. Os detratores da HQB certamente vão lhe apontar o dedo dizendo: ‘plágiário’. Mas claro, contentemo-nos com a maioria do nosso público, que é muito maior e melhor do que os iludidos ‘trolls’.
De minha parte, falando como autor de personagens, reconheço a dificuldade de se criar algo original, a respeito de super-heróis de gibi, nos dias de hoje. E não somente nos dias de hoje. Afinal de contas, homens fantasiados no combate ao crime nas Histórias-em-Quadrinhos surgiram ainda no final da década de 30 do século passado, que viram surgir The Clock/O Pulso; The Phantom/O Fantasma, e o Superman/Super-Homem. Antes mesmo destes distintos cavalheiros, inimigos do crime usavam disfarces para defender a lei, ainda que fossem incompreendidos por isso, nas páginas dos livrinhos pulps (os livros de 10 centavos vendidos às pencas e que publicavam contos e romances de diversos gêneros fantásticos e literários), vistos em personagens como Phantom Detective/Detetive Fantasma, The Spider/Aranha Negra, The Black Bat/O Morcego Negro (este que muitos juram ser o precursor do Batman, de Bob Kane), e não nos esqueçamos do mais famoso de todos, The Shadow/O Sombra.
Os amigos me permitam duas breves citações: a primeira delas, de Carl Burgos, o criador do Human Torch/Tocha Humana, em depoimento a Jim Steranko (um grande artista entrevistando outro grande artista!). Burgos, partícipe ativo da ebulição dos comics na década de 40 do século passado, grande época dos super-heróis dos gibis, falou a respeito do que se pensava a respeito disso, no furor dos acontecimentos:
Nós os chamávamos simplesmente de ‘personagens’. A palavra ‘super-herói’ não existia, senão muito mais tarde. Quando nós os criávamos, não sabíamos quais personagens iriam surpreender. Apenas fazíamos o melhor que pudéssemos.
Ah, e como fizeram bem e bonito! Quantos personagens memoráveis nos legou a geração da qual fez parte Burgos! E Jim Steranko, jovem leitor de gibi dos anos 40, nos relembra uma característica indissociável do mercado editorial norte-americano dos comics naqueles tempos:
Quando dezenas de escritores e artistas produzem material para consumo de massas, seguindo as mesmas idéias gerais para a criação de ‘super-personagens’, literalmente centenas de quadros e sequencias serão quase idênticas.
Se já estava difícil para eles serem originais lá nos longínquos anos 40, o que dizer então de nós, nos dias de hoje, com mais sete décadas de mais personagens sendo criados? Vejam o caso de Stan Lee, por exemplo, considerado hoje em dia um ‘gênio universal’. O célebre ‘Homem da Marvel’, para criar seus personagens até hoje famosos, pegou idéias daqui e dali: do Homem-Borracha/Plasticman de Jack Cole, pensou no Sr. Fantástico (que veio mesmo depois do Jimmy Olsen Elastic Lad/Rapaz Elástico e ainda do Elongated Man/Homem Elástico, de Carmine Infantino); o Hulk, como o próprio Stan Lee admitiu, é um misto de Frankenstein com Jeckyl & Hyde; escreveu bonitas histórias do Surfista Prateado/Silver Surfer, mas quem criou o personagem foi Jack Kirby – que por sua vez contestou a autoria de Lee no Homem-Aranha/Spider Man, assim como a contestou Steve Ditko; seu Homem de Ferro/Iron Man é tão somente uma modernização de Bozo O Autômato/Bozo The Robot de George Brenner – sem falar de sua versão do Thor que é inspirada quase que descaradamente no Thor God Of Thunder, de Wright Lincoln. Stan Lee deveria ter se mudado definitivamente para Saturno após 1970, mas, a respeito de sua fase na Marvel nos anos 60 do século passado, mesmo ele tendo imitado de tudo um pouco em suas criações, pode ele ser considerado um mau roteirista? Claro que não! Lee criou ótimos personagens, ótimas histórias (escrevia mesmo muito bem) e com isso encantou milhões de leitores em todo o mundo. O que foi feito dos seus personagens, e o que vem sendo feito nos dias de hoje, não pode ser reputado somente a ele.
Eu vejo o trabalho de Elenildo feito em condições ainda mais difíceis do que as de Stan Lee, em termos de criatividade (e mais ainda em termos de mercado editorial!). Diante de tantas décadas com tantos personagens criados, cabe ao roteirista tentar ser o mais criativo possível, dentro das possibilidades; e o mais importante: deve se esforçar em contar uma boa história. E tanto numa como noutra, ele foi bem sucedido. Foi criativo ao conceber um super-herói com características de Capitão América, Homem de Ferro e do Capitão Nascimento – e mais do que isso, gostei de uma certa dualidade ideológica conferida ao personagem, cujo nome remete ao comunismo (de esquerda), enquanto em seu escudo (que, quando não está sendo usado, vem acoplado ao peito, em sua armadura) ostenta orgulhosamente um símbolo que faz referência ao Exército Brasileiro (considerado de ‘direita’). No mais, apenas reafirmo o que já disse acima: vale a pena conhecer o Capitão R.E.D. pois se trata de história bem escrita, bem desenhada, com personagens interessantes. http://www.capitaored.com.br/ (JS)
SAIU MAIS UM FANZINE DO ÁTOMO
Cooperativa de Histórias-em-Quadrinhos Novo Sistema lança o quarto número do fanzine do Átomo, o personagem criado por Riccelle Sullivan Suád que teve gibi próprio na década passada, pelo selo ComicStation (os fanzines vem reapresentando as histórias publicadas naqueles gibis). Para se entender melhor as histórias do Átomo se faz mister conhecer os números anteriores, caso contrário, quem por acaso vier a conhecê-lo a partir deste fanzine, pode tomar contato com personagens interessantes como Senhor Infinito, Draco, Deheon entre outros – e, principalmente, apreciar o bom trabalho de Suád, que hoje está desenhando ainda melhor do que naquela ocasião (quem acompanha o fanzine do Homem-Camaleção, sabe do que estou falando). (JS) lynx_2811@hotmail.com – e visitem a comunidade do Novo Sistema no Orkut.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
SAIU MAIS UM NÚMERO DE RAIO NEGRO SUPER HERÓI
Na praça a 14ª. edição de Raio Negro Super Herói (21 cm x 15 cm, 28 páginas preto & branco, capa em couchê ilustrada e colorizada por Emir Ribeiro) publicado pela cooperativa Júpiter II, apresentando mais duas aventuras nostálgicas produzidas por Gedeone Malagola. A primeira, com o mais querido super-herói brasileiros dos Quadrinhos enfrentando mais uma vez a misteriosa Mulher Gato, capaz de sequestrar e assassinar friamente para atingir seus objetivos – aqui, no caso, furtar planos ultra-secretos para o desenvolvimento de um novo combustível. A segunda história é muito curiosa por apresentar um personagem muito menos conhecido, que Gedeone Malagola criou quando começava a ganhar experiência no mundo dos Quadrinhos, ainda na primeira metade da década de 50 do século passado, criando vários tipos para a Editora Júpiter original (aquela que inspirou o nome da nossa cooperativa): trata-se de Jony Ciclone, herói de aviação, evidentemente inspirado no Johnny Hazzard de Frank Robbins (que era um dos personagens favoritos de Gedeone, diga-se). A propósito, mais uma vez aqui reitero o pedido para que não sejam tão rigorosos com o saudoso autor, acusando-o impiedosamente de ‘plágiário’ sem levar em conta o momento histórico, as características do mercado editorial brasileiro nas décadas passadas, quando a ordem quase geral era a de que se imitasse o quanto possível os personagens estadunidenses dos comics, que eram aqueles mais vendidos nas bancas – e como eram vendidos, muitíssimo mais do que nos dias de hoje. (JS) smeditora@yahoo.com.br
quinta-feira, 3 de maio de 2012
MÁRCIO SNO E OS FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO
Eu realmente morro de rir quando os agressivos e disfarçados ‘trolls’ invadem as páginas de comentários deste blog para virem me chamar de ‘amador’ e ‘fanzineiro’. Mas é exatamente isso que sou! Amador e fanzineiro! Graças a isso conheci pessoas maravilhosas, que jamais me mandaram cartas falsas, usando pseudônimos para me agredir! Só se tornava fanzineiro quem não tinha preguiça de escrever cartas e frequentar as agências de correios! (faço isso até hoje!) E conheci locais do Brasil que vocês nem imaginam que exista! Vocês não fazem mesmo a menor idéia, perdidinhos que estão vivendo constantemente para ofender os outros – e não raro, diante da enorme ignorância dos detratores, alguns pretensos ‘ataques’, acabam se tornando elogiosas referências, tais como quando sou chamado de ‘amador’ e ‘fanzineiro’ – e é exatamente isso que sou! Quem achar ruim, que faça melhor!
Quando eu iniciava no meio fanzineiro, na primeira metade dos anos 90 do século passado, o nome de Márcio Sno já era conhecido e reverenciado, pois, apesar de jovem, Sno já era um veterano na arte da edição independente (que iniciara na década anterior). Para minha sorte e alegria, Sno foi um dos tantos ótimos parceiros que conheci nesta caminhada, sempre me ajudando e colaborando nos fanzines que eu editava. Pudemos até nos encontrar pessoalmente, algumas vezes, naquela efervescência de palavras escritas, desenhadas, musicadas, etc.
Já confessei diversas vezes que jamais voltaria a escrever e publicar sobre os temas que me inspiravam naquela época, mas é preciso deixar as coisas bem claras: no meio fanzineiro daquela época, só guardo lindas saudades e ótimas lembranças da maioria das pessoas que conheci, dos parceiros que fiz, e até das poucas namoradas que tive. Que fique bem claro que meu ressentimento do passado é comigo mesmo, das obras que perpetrei no papel e no VHS, e pior, fora deles, na vida real.... Deus seja louvado pelas pessoas que conheci através dos fanzines! Deus seja louvado por ter me concedido a graça de conhecer os lugares que conheci nesse Brasilzão sem tamanho! Mesmo eu estando mergulhado em trevas interiores, ainda assim a vida se esforçava em me fazer melhor, com os anjos de Deus colocando bons parceiros, bons companheiros no meu caminho, deixando-o menos tortuoso conforme eu mesmo vinha construindo.
E pra quem conhece minha história passada, que fique sabendo: continuo amando todos os que conheci no underground, especialmente na Canibal Produções. E acreditem, velhos parceiros, se no passado eu gostava mais de vocês do que a recíproca, saibam que a coisa continua na mesma! Até hoje, gosto mais de vocês do que o contrário! (não há nada de mal nisso, nem exijo que vocês gostem de mim tanto quanto eu gosto de vocês, mas só comento isso para pleno esclarecimento). Vocês me ajudaram o quanto puderam e, de minha parte, ainda que mergulhado num egoísmo atroz, eu tentei fazer o mesmo. E são estas boas lembranças que gostaria de guardar de vocês. Estaremos é claro separados enquanto vocês insistirem e persistirem em transformar em arte as temáticas aviltantes que vêm usando (e que eu deixei de usar) desde que tinham 18 anos de idade. De qualquer forma tenho imenso carinho por todos vocês, especialmente por aquele a quem um dia considerei (e ainda considero!) o irmãozinho mais novo que não tive nesta vida (e cheguei a dizer isso para ele). Sem falar no débito impagável de algumas grosserias que cometi contra uma certa Canibal Girl, que disse ter me perdoado mas na verdade ainda não perdoou (e tem bons motivos para agir assim), espero que um dia ainda possamos nos encontrar pessoalmente (você está tão longe...) e, diante de um abraço fraterno, gostaria que entendesse que meu arrependimento é pra valer.
Acabei divagando quando a intenção desta postagem é divulgar o trabalho do grande Márcio Sno, que nos últimos & recentes anos vem preparando aquele que já se tornou o grande registro daqueles anos de fúria e esperança (no meu caso específico, rancor e falta de esperança, mas que bom que isso passou, ficou no passado). Sno já produziu dois documentários que se tornam essenciais para quem se interessar em conhecer como se dava a produção cultural independente, sem qualquer ajuda das grandes mídias, no final do século XX: trata-se de Fanzineiros Do Século Passado, reunião de entrevistas com algumas das ‘figurinhas carimbadas’ que fizeram aquela História. E não é que o bom Márcio Sno incluiu este humilde escriba, naquelas seleções memoráveis? Não sei se mereço, mas isso me encheu de honra e alegria. E tudo muito bem editado, com trilha sonora mais que apropriada – não pra menos, os polpudos fanzines que Sno editava versavam sobre assuntos diversos, mas preferencialmente a respeito da música das ‘tribos’ urbanas (no passado não era assim, mas hoje, quando escuto algum acorde de rock já saio correndo para meu abrigo anti-nuclear – e me perdoem por mais este parênteses existencial). O que importa é dizer que a trilha sonora dos documentários é mais do que propícia, mesmo porque, muitos fanzineiros do século passado formaram bandas musicais que fizeram muitos fãs, muito mais do que possam imaginar hoje os jovens produtores independentes que usam e abusam dos privilégios tecnológicos da internet.
Como não poderia deixar de ser, cada dvd contendo um documentário vem acompanhado de um fanzine, com alguns colaboradores que são parceiros(as) de longa data, que acompanham Márcio Sno desde sempre. Anotem aí o endereço eletrônico para contato: marciosno@gmail.com – http://www.marciosno.blogspot.com/ – www.facebook.com/marciosno - quem não quiser adquirir os dvds vai encontrar por lá os links para se assistir na internet. (JS)
José Salles e Márcio Sno
terça-feira, 24 de abril de 2012
INDICAÇÃO PROVOCATIVA ME IRRITA UM POUCO, MAS ME DEIXA COM MUITA PENA DE QUEM A FEZ ou "O HQ MICO"
Antes de mais nada, as linhas que seguem expressam única e exclusivamente a minha vontade, não falo em nome de ninguém ou nenhum grupo.
Estou indignado por ver o nome de uma das publicações da Júpiter 2, Velta & Mirza, ter sido indicada ao prêmio hq mix(o) na categoria “melhor publicação erótica”.
Não sei o motivo de ter sido incluída nesta categoria. A conversa (mole) é de que houve votação democrática, etc. Mas, para mim, essa indicação indecorosa pode demonstrar duas hipóteses, a respeito da conduta dos organizadores desse prêmio.
A primeira hipótese (e a mais improvável), é a de que não leram a publicação, ou mais ainda, sequer a viram, ou mesmo folhearam suas páginas. Pois, apesar de indicada para adultos, o teor erótico (a ponto de ser considerada uma publicação exclusivamente deste gênero) é suave e não é indispensável nas histórias lá apresentadas, em especial a primeira delas e que toma a grande maioria das páginas da edição, “O Exército de Vampiros”, onde fica muito claro que a preocupação do artista Emir Ribeiro foi a de criar uma história plena de divertimento com a trama baseada especialmente nos gêneros de terror, suspense e ficção-científica. Vê-se claramente, como irá perceber qualquer iniciado na História das HQs brasileiras & seus autores, que Emir preocupou-se muito mais em homenagear grandes nomes da agaquê brazuca do que em ficar excitando a libido alheia. Deixemos que o próprio Emir explique: apenas tentei seguir a linha usada no terror brasileiro tradicional (anos 60 e 70), onde o elemento erótico (ou seja, mulher com pouca ou nenhuma roupa, diga-se antecipadamente) sempre esteve presente. Foi a mesma linha que eu quis trazer para o gênero de super-heróis, quando criei Velta nos anos 70. Assim, na história, apenas juntei os gêneros, e tentei me manter fiel à linha escolhida.
Velta & Mirza é muito mais do que qualquer hentai. E mesmo na segunda HQ, com mais tensão erótica, tudo é mostrado com discrição e respeito – em português mais claro: o auge do explícito é a nudez de um par de peitos femininos. Ou seja, fosse mesmo uma seleção feita com seriedade, Velta & Mirza, com suas virtudes e seus defeitos, jamais deveria constar ao lado de coisas abomináveis como essas obras de jodorówisk, chaytin e hentai.
Ah, meus caros, mas esta hipótese, de que os organizadores do prêmio hq mix(o) não tenham lido Velta & Mirza, é muito, muito improvável. Tudo indica ser uma provocação deliberada (ainda que velada) contra minha pessoa, contra as convicções que defendo atualmente em minha vida. Já deixei claro em uma série de artigos o que penso a respeito desse prêmio, o que penso a respeito do underground comics, da vaidade ridícula de boa parte dos roteiristas e desenhistas de Quadrinhos. E sempre deixo muito, muito claro o que penso a respeito da ideologia de esquerda. Além disso, relembro de alguns artigos que escrevi de cunho bastante pessoal, fazendo reflexões em minha vida depois que abandonei temas similares aos das obras de jodorówisk e chaytin, e me converti ao Cristianismo – ao Cristianismo do Cristo, conforme pregou Alziro Zarur, e vem reafirmando o sr. Paulo Antônio de Colo. Pois bem, tudo isso que hoje combato, perversões, niilismo e ativismo ateísta, já fui um dia artífice desses mesmos crimes. Eu poderia ser como jodorówisk, com mais de 80 anos de idade e ainda estar escrevendo a respeito das mesmas coisinhas que escrevia quanto tinha 18 – este lamentável autor continua, até hoje, a se utilizar de qualquer pretexto histórico para extravasar suas taras e seu ódio anticristão. Eu, tão abominavelmente quanto horrorówisk, também já perpetrei obras lamentáveis, totalmente devotadas aos baixos instintos humanos, dos mais rasteiros e inferiores, além de certa fúria anticristã – afinal de contas, como posso renegar o fanzine Os Mardito, o livreto Contos Pervertidos, o filmeco Credo Creditum e o roteiro da HQ Jack The Fag? O que está feito está feito, e de certa forma é até bom citar o nome dessas obras execráveis que cometi no passado, para que os moços de hoje, sabendo-lhes os nomes e de quais assuntos tratam, procurem evitar conhecê-las. Mas, tudo isso está no passado, cada vez mais no passado. Olho para trás e percebo que minha conversão começou há mais de uma década. Aqueles sentimentos nefastos que me dominavam quando escrevi aquelas tralhas, inspirado por artistas depravados, vão ficando cada dia mais longe, mais distante de minha existência e de minha lembrança. Para dizer a verdade, só me lembro de ter escrito aqueles coisas quando algum colega daqueles tempos, mesmo de boa-fé, insiste em relembrar de minha autoria sobre aquelas obras ridículas, votando a divulgá-las, desnecessariamente. E também, vez por outra, como vocês podem constatar nesta ocasião, quando sou alvo do deboche alheio, do sarcasmo imprevidente, como no caso desta indecorosa indicação de uma revista da qual sou o editor responsável, inserida ao lado de obras aviltantes, das quais há muito já me livrei, moral e espiritualmente (e quem não muda de jeito nenhum porque sequer tenta isso, dificilmente acredita naqueles que tentam mudar, que tentam renovar-se). Há quem passe dos 60, 80 anos de idade, e jamais mude sua trajetória criativa. Comigo foi diferente. Mudei e mudei radicalmente, abandonando temáticas pervertidas, ateístas, hedonistas, materialistas, e me esforçando nos caminhos verdadeiros da vida, procurando seguir os ensinamentos de Jesus, buscando ajudar a construir aqui na Terra o que jamais existiu, até o momento: o Cristianismo do Cristo, oposto ao que existe hoje, o cristianismo dos homens, que só faz dividir os cristãos – e povo dividido não reina, por isso o avanço implacável de todos os tipos de abortistas em nossa sociedade!
A propósito, nestas situações, em que me vejo obrigado a falar sobre as obras que fiz no passado, sinto-me como aquele personagem narrado por Irmão X, através das mãos caridosas de Francisco Cândido Xavier no livro Lázaro Redivivo: trata-se de um escritor que vivia de explorar a malícia e a fraqueza humanas, em livros plenos de anedotário venenoso e sensual. Depois que faleceu e seu espírito deixou o corpo apodrecido no túmulo, descobriu as verdades celestiais e arrependeu-se, trilhando dolorosamente o retorno aos bons caminhos. Ainda no mundo espiritual, recebeu a visita de antigos leitores, que haviam sido seus fãs durante a passagem terrestre. Inconformados com a conversão do antigo escritor debochado, por isso o xingavam e o agrediam insistentemente: “É mentira! Ele não tinha fé!”. Entretanto, sabedor dos erros do passado, aquele que outrora fora um escritor depravado não perdeu a calma, e concluiu: Não me preocupo, agora, por mim, que tenho a felicidade de resgatar o passado. Como é natural, todavia, preocupo-me pelos meus antigos clientes, porque se me conhecem tão bem, dão testemunho de que me leram com atenção. Leram e gostaram. E se eu, presentemente, trabalho para destruir a árvore que plantei, eles que se preparem diante do futuro, porquanto é provável que quase todos tenham de vomitar os frutos que ingeriram gostosamente.
Deste modo, sou capaz de apostar como os organizadores do hq mix(o) leram sim, não só Velta & Mirza, mas vários de meus artigos escritos nos anos mais recentes. E a indicação de Velta & Mirza junto àquelas obras pestilentas, é, sim, uma provocação besta, que só faz denegrir a linha editorial da Júpiter 2 – mas vejam bem, só a denigre entre aqueles que já nos detestam e/ou que nos desconhecem, pois felizmente, com a Graça do Bom Deus, nestes seis anos de publicações ininterruptas já conseguimos formar um público específico nosso, gente boa e humilde que gosta de gibis mas que em boa parte nunca leu alan múúú, nil gosma, jodorówisk, chaityn, e imagino que nunca nem ouviram falar em prêmio hq mix(o). Ou seja, o público da Júpiter 2, este nosso mais precioso tesouro, o público que já lê nossas revistas há um par de anos ou mais, este não vai dar a mínima para essa indicação aviltante. Mesmo porque, nunca nem ouviram falar nesse tal prêmio.
Enquanto escrevia, me passou pela cabeça uma terceira hipótese a respeito das intenções dos organizadores do hq mix(o) ao incluir Velta & Mirza naquela seleção asquerosa: estariam os organizadores procurando, como direi, ‘fazer média’ com a Júpiter 2? Afinal, podem me ‘acusar’ de ser cristão (e estou tentando ser), mas não podem me acusar de falta de incentivo aos artistas brasileiros dos Quadrinhos e seus personagens, não é? Ou quem sabe estejam mesmo querendo ‘fazer média’ com o Emir Ribeiro? Afinal de contas, o homem, há anos na estrada com vasta obra, vem lançando um álbum atrás do outro e o público do hq mix(o) incluindo a maioria dos indicados, nunca nem ouviu falar do paraibano (muito longe a Paraíba, né? Se ainda fosse em Nova Iorque, ou San Diego!).
Seja qual tenha sido a intenção dos organizadores do prêmio hq mix(o) ao terem incluindo Velta & Mirza naquela seleção que só nos faz afronta (a mim e ao público da Júpiter 2), minha posição é bem clara: evidente que não posso exigir que o gibi seja retirado daquela seleção de indicados para melhor publicação erótica, por isso, apenas peço aos organizadores o favor para que o retirem de lá – e atenção, que fique bem claro, esta é a minha posição pessoal, não a do Emir Ribeiro. Ele sabe o que penso sobre o trabalho dele, independente dele ser premiado ou não. Portanto, sou eu, José Salles, quem peço aos organizadores do hq mix(o) que retirem aquela indicação de lá. Se não for retirada, teria eu a prerrogativa de que meus advogados pudessem tentar isso diante de um juiz de direito, mas evidentemente não vou gastar minhas energias & recursos com isso, para responder a essa provocaçãozinha boba. Afinal de contas, se não outorguei representação aos advogados nem mesmo para que pudessem cobrar o dinheiro que vocês me devem, pela venda consignada de alguns gibis da Júpiter 2 que eu pessoalmente deixei na livraria hq mix(o) na capital paulista, eu lá vou fazer isso por menos ainda? Pois, ainda que a revista seja eleita para ganhar o prêmio, e o Emir aceite ir recebê-lo pessoalmente (pois eu não irei de jeito nenhum, e acho difícil mesmo que o Emir se sujeite a isso), pra mim não muda nada. Vou continuar editando gibis para o público da Júpiter 2, aquele que nos respeita e não lê jodorówisk, nem chiclete com banana, nem conhece o hq mix(o). José Salles
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